Alfabetização Científica

Alfab.

“A Alfabetização Científica à luz do entendimento de si mesmo e do mundo”

                                                                                                  Meily Cassemiro Santos* 

A alfabetização, em especial a científica, é marcada nos últimos anos pela autonomia discutida como uma possibilidade para a inclusão social. Grandes teóricos tiveram uma forte influência desta ideia com o objetivo de contribuir e promover reflexões que envolvem os saberes científicos.

Esta alfabetização pode se apresentar no cenário escolar, com o objetivo de contribuir para a compreensão de conhecimentos, procedimentos e valores que permitam aos estudantes tomar decisões e perceber tanto as muitas utilidades da ciência e suas aplicações na melhoria da qualidade de vida, quanto às limitações e consequências negativas de seu desenvolvimento. (ATTICO CHASSOT, 2003) Considerando a ciência como linguagem, este educador e químico explica que ela é a descrição do mundo natural e nos ajuda a entender melhor a nós mesmos e ao mundo que nos cerca. Para isto é necessário propiciar o entendimento e a leitura desta linguagem. Também propõe questões que podem ser respondidas e ampliadas a partir deste propósito: “O que é, por que e como fazer a alfabetização científica?” Contudo, finaliza sua ideia com outro questionamento mais vital: “Para que (m) é útil a alfabetização científica que fazemos?” (CHASSOT, 2003, p.99)

A alfabetização científica pode e deve ser compreendida ainda como atitudes educativas, a partir da formação do indivíduo e da cultura cidadã das coletividades, valorizando a cultura de grupo, conforme expõe Gérard Fourez (2003). Segundo suas pesquisas na Bélgica de língua francesa, o ensino de ciências está em crise e é dominado por alunos que não estão preparados para se comprometer em estudos científicos; pelos professores de ciências que enfrentaram uma defasagem na formação e as exigências para realizar uma proposta interdisciplinar; pelos dirigentes de nosso mundo econômico e industrial, que lamentam em ver o número de jovens ingressando em carreiras com base científica; pelos pais de alunos que estão preocupados com o futuro dos filhos do ponto de vista econômico. Cabe ressaltar que para este físico, a perspectiva da alfabetização científica pode-se expressar em termos de finalidades humanistas, sociais e econômicas, podendo destacar a que visa à formação do cidadão e a que visa à formação de especialistas. Fourez alerta que:

Se a escola se preocupasse mais com a alfabetização científica e técnica dos indivíduos e dos grupos, ela trataria de proporcionar aos alunos a experiência de ter participado de uma coletividade praticando um debate. Ter vivido, desta forma, tal experiência, confere uma competência da qual se pode preparar explicitamente a transferência para outras situações. Assim, um grupo alfabetizado cientificamente e tecnicamente em relação a uma família de situações pode se tornar consciente de que aquilo que a competência (chamada às vezes de knowhow) adquire, em relação a este conjunto de situações pode ser transferido para um outro. (GÉRARD FOUREZ, 2003, p. 115)

Chassot (2008,p. 9) encontra outro problema genérico sobre a ideia apresentada acima por Fourez: “Como preservar saberes populares na tentativa de fazê-los saberes escolares?” Para ele, a escola precisa aprender a valorizar os mais velhos e os não-letrados como fontes de conhecimentos que podem ser levados à sala de aula. Além disso, a promoção do diálogo de gerações ultrapassa a partilha de conhecimentos, pois há também a partilha de afetos, sendo ainda mais gratificante quanto mais se buscar fazer oposição ao presenteísmo e ao cientificismo. Ou seja, “aquele tido como a vinculação exclusiva ao presente, sem enraizamento com o passado e sem perspectivas para o futuro, aferrado à crença exagerada no poder da Ciência e/ou a atribuição desta de efeitos apenas benéficos” (CHASSOT, 2008, p.11).

Portanto, com base nas pesquisas de Chassot e Fourez, pode-se considerar que a alfabetização científica é um componente importante para a formação cidadã, para o entendimento de si mesmo e para a construção crítica do mundo. Quando a ciência é trazida para o cotidiano, há o desenvolvimento da autonomia, da capacidade de buscar soluções e aprender pela vivência e pelas experimentações.

Referências bibliográficas:

CHASSOT, Attico. Alfabetização Científica: uma possibilidade de inclusão social. Revista Brasileira de Educação, nº 22, pp.89-100, janeiro a abril de 2003.

CHASSOT, Attico. Fazendo Educação em Ciências em um Curso de Pedagogia com Inclusão de Saberes Populares no Currículo. Química Nova na Escola, nº 27, pp. 9-12, fevereiro de 2008.

FOUREZ, Gérard. Crise no Ensino de Ciências. Investigações em Ensino de Ciências – V8(2), pp. 109-123, 2003.

* Mestranda em Projetos Educacionais em Ciências, Universidade de São Paulo (USP). Lorena – SP. E-mail: meilycassemiro@usp.br

 

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Convite especial…

Para você que busca uma educação mais ética, convido para visitar ou “curtir” a continuação deste blog no Facebook.

https://www.facebook.com/#!/eticavaloresecidadanianaescola

Aguardo a sua visita!!!
Abraço ético!

Profª Meily Cassemiro Santos.

quebra cabeça

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Assumindo nossa responsabilidade educativa…

Indico este livro para os PAIS, para as MÃES e para os EDUCADORES pensarem em todas as transformações sociais das relações que se constituem nas famílias e nas escolas.

O vídeo abaixo é referente à primeira discussão do livro indicado, cujo tema é “Filhos… melhor não tê-los?”, por Rosely Sayão. Vejam!!!

http://www.youtube.com/watch?v=dhx_lvKhjyg

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Educação, com Viviane Mosé.

A filósofa Viviane Mosé (2011) discute o fato de que as escolas falam de ética e escrevem na lousa a palavra ethos com “th” e começam a conversar com as crianças sobre isso. Está no domínio do idealismo platônico, no domínio da representação. Esse processo de abstração do pensamento na escola que privilegia a palavra, se unido a uma escola que privilegia a fragmentação e o acúmulo do conhecimento forma os cidadãos passivos que temos hoje.

Educação com Viviane Mosé

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“O professor transmite aquilo que é.”

Eu tenho orgulho de ser professora, porque educar vai muito além de transmitir conhecimento. Educar é um exercício diário de compromisso, responsabilidade e coragem. Sim, o professor precisa ser corajoso para enfrentar todas as resistências e se adaptar aos novos tempos. João Guimarães Rosa foi feliz quando disse que “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. Hoje, um grande desafio da profissão docente em face à nova sociedade do conhecimento é este: educar-se e buscar aperfeiçoar sua prática educativa, inovando o olhar e o ofício de ensinar, porque quem não se atualizar formará pessoas fora do seu tempo. Claude Levi-Strauss acertou quando um dia escreveu que “sábio não é aquele que fornece as verdadeiras respostas, é aquele que faz as verdadeiras perguntas.” Ensinar o aluno a pensar e questionar é um trabalho de persistência e de fé. O Prof. José Pacheco declara para quem quiser ouvir que “O PROFESSOR TRANSMITE AQUILO QUE É”. Cobra-se de um educador que ele tenha personalidade, caráter, idoneidade, que ele pense e tenha ideias próprias. Exige-se que o educador saiba fazer suas escolhas e defendê-las, que saiba dizer e argumentar, mesmo que ele venha a sofrer consequências disto, posicionando-se com ética e princípios. Ter orgulho de educar é um desafio interminável, é se envolver de fato com a educação, nem que para isto o professor tenha que se despir de suas fraquezas e dificuldades. Quem abraça a educação precisa parar para pensar e começar a mostrar resultados que há tanto tempo a sociedade espera ver na educação, conquistando assim o respeito e a dignidade perdida. Não basta ter orgulho de ser professor, é preciso verificar o alcance desse sentimento e mobilizá-lo.

Profª Meily e Prof. José Pacheco – Congresso Saber 2012 – SP.

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Você concorda?!

Na verdade, é mais “fácil” proibir o que Monteiro Lobato escreveu do que ler suas obras e refletir sobre as características de cada personagem de acordo com o contexto histórico da época. É mais “cômodo” proibir as histórias do Sítio do Picapau Amarelo do que ensinar as crianças a pensarem e refletirem sobre como os personagens se relacionam nas entrelinhas; se a maneira como se tratam é adequada e se houve mudanças nas atitudes de antes e de agora. Proibidas ou não continuarei lendo as histórias de Lobato para meus alunos, continuarei me fantasiando e dramatizando a personagem que tanto AMO, a Emília, e abrindo a canastra da cultura brasileira para as crianças de escolas públicas e particulares. Serei CENSURADA ou EXILADA? Jogar na fogueira os livros e todas as obras deste escritor NÃO É A SOLUÇÃO do preconceito, da discriminação social e racial, do bullying, da política corrupta e da crise de valores (ou valores em crise) do nosso país!!!

É no CONFLITO que acontece a APRENDIZAGEM!!! Se há proibição na leitura de um livro, há a proibição do pensamento. Se há censura, há a dominação de poucos (menos do que já existe) e a submissão de muitos. Quem acredita na EDUCAÇÃO não pode ficar calado num momento destes!!! Abraços éticos, amigos!!!

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Inscrições abertas para o curso “Ética, Valores e Cidadania na Escola”

Educadores amigos… Vamos estudar mais um pouco?! SEMPRE!
Afinal, só é um bom ensinante quem é um bom aprendente.

O Curso de Especialização em “Ética, Valores e Cidadania na Escola” (EVC), está
sendo oferecido na modalidade semipresencial pelo Núcleo de Apoio Social,
Cultural e Educacional (NASCE) da Universidade de São Paulo (USP), dentro do
contexto do Programa UNIVESP – Universidade Virtual do Estado de São Paulo, da
Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São
Paulo.

Início: terça-feira, 10/07/2012

Término: Segunda-feira, 30/07/2012

Para maiores informações e para a realização das inscrições acesse o site da FUVEST: www.fuvest.br

Fonte: http://evc.prceu.usp.br/?p=290

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