Vídeo-aula 1: As revoluções educacionais.

“Quais os objetivos da educação? A quem se destina? Como as transformações sócio-político-econômicas vêm influenciando a busca da qualidade na educação? “

  • História da escola contemporânea: entender os problemas e desafios da sala de aula nos dias de hoje.
  • Revoluções educacionais.

Autor espanhol: José Esteves; Livro “A terceira revolução educativa”.

Escola da 1ª revolução educacional: 2500 anos atrás – cortes dos faraós egípcios (educação aos filhos dos faraós e aos sacerdotes). Esta escola visava apenas a educação dos filhos dos nobres, burgueses, ou seja, a pequena parcela da educação.

Quadro de Jean Baptiste Siméon Chardin- “A Jovem Mestra”: Relação individualizada: professora com aluno, encarregada de educar o filho de um nobre.

2ª Revolução Educacional: Século XVIII: Estados nacionais europeus começam a se consolidar. Decreto do Rei Frederico Guilherme II (Prússia) – 1787: Estabelecimento de que a educação é uma responsabilidade do Estado. Até então a Igreja era responsável.

Escola início do século XIX: imagem de um professor com doze alunos em sala de aula fechados dentro de quatro paredes, como ainda vemos nos dias atuais. Configuração arquitetônica elaborado nesta 2ª Revolução Educacional. O professor está de frente para os alunos transmitindo o conhecimento. Na época a produção de livros era cara e
quem tinha acesso aos livros transmitia o conhecimento dos livros para os alunos (quem não tinha acesso). O professor tem como apoio uma lousa e está numa posição superior em relação aos alunos. Ele é o detentor do conhecimento.
Observe a fisionomia dos alunos. Só tem meninos nesta classe e ainda é uma
escola para poucos. Há a legitimação da exclusão de boa parte da população: 90%, mesmo sendo pública (entre elas as meninas). Há a homogeneização (cor de pele, corte de cabelo, tamanho); isso está vinculado à estrutura da sociedade econômica deste século. Atendia somente 10% da população. Não havia espaço para o aluno hiperativo ou com dificuldade de aprender (aluno lento). Não havia espaço para alunos que desafiavam o professor ou que não realizavam determinada tarefa.

3ª Revolução Educacional: Século XX. Processo de universalização ao acesso da educação. O Governo coloca propagandas sobre quantos alunos estão na escola. Hoje a economia não está mais na sociedade agrária. A indústria e o comércio precisam de pessoas mais instruídas. Hoje todas as crianças devem estar na escola. Há a inclusão das diferenças (sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero). Esta escola é para todos.

Como vamos lidar com esta inclusão? É um desejo da sociedade que todas as crianças estejam na sala de aula. Grandes desafios: como vamos conciliar a acessibilidade com a equidade (todos têm o direito)? Todas as diferenças têm direito de estar dentro da sala
de aula? Como vamos reconfigurar esta escola? Será que ela dá conta? O Professor Ulisses Araújo entende que não. Os educadores precisam reinventar a escola. Não dá para achar que esta escola para todos vá funcionar como a escola do século XIX. O conhecimento não está somente no professor, mas em inúmeros espaços, inclusive os virtuais, como a Internet. Este é um dos grandes desafios da nossa geração de profissionais e compete a nós buscar caminhos e saídas para esta escola.

Penso sempre nestas palavras de Fernando Pessoa, quando a vida me instiga a modificar meus rumos e rever alguns paradigmas:

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Sigamos com a CORAGEM de refletir e agir para enfrentar os desafios do caminho da EDUCAÇÃO!!!

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Sobre Meily Cassemiro

Há pessoas que fazem com que a gente floresça todos os ramos, brote todos os galhos, sejamos o que de melhor podemos ser. São pessoas que a gente AMA e que nos possibilitam nos deixar amar por elas e por NÓS mesmos. Nos apaixonamos por elas e pelo que elas nos habilitaram a SER. Há as que despertam o que há de pior em nós: a mesquinhez, a inveja, o rancor, a amargura, a tirania, a doença. Também precisamos delas, como precisamos de uma tomografia ou um raio x. Precisamos localizar onde dói, o que faz doer, o que causou aquilo, para poder curar. O que não se pode é empacar entre o diagnóstico e a cirurgia. É onde entra a CORAGEM de ser FELIZ. Uma vez alguém me disse que há muito tinha se convencido de que as pessoas são tão mais felizes quanto podem se permitir SER ELAS MESMAS. Acho que é isso. Mas ser a gente mesmo às vezes implica ser diferente conforme a circunstância, conforme o outro, conforme o caso. Implica ir se metamorfoseando. E assim, somos um grande mosaico mutante de muitas faces, muitas vidas, muitos de nós mesmos para muitos outros, que a gente espera que vá ficando cada vez mais bonito, que a gente espera que vá podendo ser cada vez mais FIEL AO QUE SOMOS, ao que QUEREMOS SER, ao que SONHAMOS NOS TORNAR.
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2 respostas para Vídeo-aula 1: As revoluções educacionais.

  1. Olá, Meily! Também iniciei o curso de Ética, Valores e Cidadania na Escola, pela UNIVESP/USP. Minha turma é a de segunda-feira à tarde, no campus USP Butantã. Gostei muito dos seus apontamentos. Grande abraço, Walquíria.

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