Vídeo-aula 24: Mídia e comportamento

A criança e o adolescente aprendem comportamentos por imitação, através de exemplos, com boa vulnerabilidade às influências externas. A Profª. Lília de Souza Li mostra a importância da mídia que, pelos diversos canais, possui uma capacidade de influência ampla, devido às suas características de não segregação, de não ter necessidade de locomoção das pessoas. É importante ressaltar que, apesar de seus pontos positivos, existem também aspectos negativos da mídia, podendo influenciar comportamentos de risco (violência, sexualidade, erros alimentares, uso de substâncias psicoativas).

Prof. Li Li Min

Profª Lília de Souza Li (UNICAMP) discursou sobre:

Infância e adolescência:

- Período de imaturidade e transformações físicas e psíquicas, com mudanças radicais e abruptas;

- Período dinâmico onde se estabelecem atitudes, conceitos e valores; formação de valores;

- Constitui o período de maior vulnerabilidade a influências externas.

Socialização

É o processo através do qual o ser humano interioriza valores, crenças, atitudes e normas de conduta que são próprios do seu grupo social ou sociedade, incorporando-os à sua personalidade.

Pelo seu acesso universal, sem deslocamento, por não segregar e pela sua eficiência, a mídia constitui um importante meio de socialização.

Mídia

Televisão, cinema, impressos (revistas, gibis e livros), música (rádio, MTV, discos, MP3), computador (filmes, música, Internet, chats), videogames, celular, multimídia…

Influência da mídia

Retratam modelos de conduta de uma determinada maneira, selecionam informações e conhecimentos, fornecem estímulos.

Efeito da terceira pessoa: assim como adultos, adolescentes acreditam que a mídia influencia a todos menos a si mesmo.

Crianças são influenciadas pela mídia

 

- Elas aprendem por observação, imitação e pelas suas próprias atitudes;

- Atitudes e comportamentos agressivos são aprendidos pela imitação de modelos observados;

- Exposição prévia à violência correlaciona com comportamento agressivo;

- Crianças menores de 8 anos não diferenciam entre fantasia e realidade e são mais vulneráveis.

Tempo gasto de crianças e adolescentes usando a mídia

Média de 6 horas e 32 minutos e 35 a 55 horas/semana;

Mais de 21 horas/ semana de televisão;

Quase 2 horas de Internet/dia; 4 dias/semana;

Várias horas de música/dia como fundo para outras atividades;

10.000 cenas de violência/ano;

15.000 cenas de referências sexuais/ano.

Qual é o impacto negativo da mídia em nossas crianças e adolescentes?

- Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, sexualidade, violência, transtornos alimentares (obesidade, anorexia), problemas escolares e uso de drogas.

Violência e televisão

- Aos 18 anos um indivíduo terá visto 200.000 ações violentas na televisão;

- De 10.000 horas monitoradas de programas de TV, 61% apresentavam violência interpessoal, a maioria de maneira divertida ou glamourosa;

- Maior percentagem de violência visto em programas infantis.

Consequência da exposição prolongada da violência

Problemas físicos e mentais, condutas agressivas, dessensibilização à violência, medo, depressão, pesadelos e distúrbios do sono.

Mídia como o principal educador sexual

- Mais de 75% dos shows em horário nobre apresentam conteúdo sexual;

- Apenas 11% discutem riscos sexuais;

- Assistir imagens sexuais acelera o início da atividade sexual na adolescência;

- Adolescentes que assistem mais conteúdo sexual aumentam 2X o risco de iniciar atividade sexual no ano seguinte.

Fatores associados a educação sexual via mídia

- Pais não discutem anticoncepção com seus filhos;

- Escolas não fornecem educação sexual, nem discutem orientação sexual e não incluem os pais nos programas.

Internet: oferece acesso fácil e ilimitado a sites pornográficos em apenas alguns clics. Favorece pedofilia e cyberbyllying mesmo dentro da própria casa.

Efeito da mídia como substantivo de outras atividades

Duas a três horas de televisão/dia resulta em menos atividades físicas; menor gasto energético com maior obesidade, diminuição na leitura e na interação com amigos.

Videogames

- Mídia com interação. Participação ativa aumenta o aprendizado.

- Crianças que jogam videogames apresentam redução em atitudes pró-sociais e assistenciais e aumento em pensamentos agressivos e respostas violentas com retaliação e provocações.

- Jogar videogames violentos é responsável por aumento de 13 a 22% do comportamento violento de adolescentes.

- Aumento de sentimento de hostilidade, expectativa de que outros sejam violentos, dessensibilização da dor nos outros e aumento da probabilidade de interagir e responder a outros com violência.

- Os jogos viciam e aumentam o tempo gasto com eles. A repetição aumenta seus efeitos.

Papel da mídia na ingestão de bebidas por adolescentes.

- Publicidade tem um modesto mas considerável impacto no consumo de cerveja e vinho;

- Estratégias publicitárias: imagens sexuais e celebridades se mostram muito efetivas.

Papel dos professores para educar sobre mídias

- Estabelecer programas de ensino sobre mídia nas escolas;

- Renovar ideias para ensino de mídia, uso e abuso de drogas e programas de educação sexual.

O Prof. Li Li Min deixa no final desta aula um questionamento: “Como podemos discutir esse assunto no ambiente escolar?”

Esta música tem a letra crítica e nos instiga a refletir sobre a influência da televisão no comportamento humano: “Xanéu nº 5 – Teatro Mágico”:

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Sobre Meily Cassemiro

Há pessoas que fazem com que a gente floresça todos os ramos, brote todos os galhos, sejamos o que de melhor podemos ser. São pessoas que a gente AMA e que nos possibilitam nos deixar amar por elas e por NÓS mesmos. Nos apaixonamos por elas e pelo que elas nos habilitaram a SER. Há as que despertam o que há de pior em nós: a mesquinhez, a inveja, o rancor, a amargura, a tirania, a doença. Também precisamos delas, como precisamos de uma tomografia ou um raio x. Precisamos localizar onde dói, o que faz doer, o que causou aquilo, para poder curar. O que não se pode é empacar entre o diagnóstico e a cirurgia. É onde entra a CORAGEM de ser FELIZ. Uma vez alguém me disse que há muito tinha se convencido de que as pessoas são tão mais felizes quanto podem se permitir SER ELAS MESMAS. Acho que é isso. Mas ser a gente mesmo às vezes implica ser diferente conforme a circunstância, conforme o outro, conforme o caso. Implica ir se metamorfoseando. E assim, somos um grande mosaico mutante de muitas faces, muitas vidas, muitos de nós mesmos para muitos outros, que a gente espera que vá ficando cada vez mais bonito, que a gente espera que vá podendo ser cada vez mais FIEL AO QUE SOMOS, ao que QUEREMOS SER, ao que SONHAMOS NOS TORNAR.
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