Vídeo-aula 1: Papel do professor: instruir ou educar?

Discutir a função docente pela problematização enfrentamento do dilema: instruir ou educar? A educação se submete ao ensino ou o ensino se submete à educação? O equilíbrio entre as dimensões pedagógica e educativa da prática escolar.

Profª Silvia Colello (Faculdade de Educação – USP)

Considerando os problemas envolvidos na educação, qual é o papel do professor?

Sobre os alunos pairam cobranças maiores do que a aprendizagem, como: a inserção social, a criticidade, a profissionalização, a ética, a criatividade, a responsabilidade, a consciência, a autonomia e a competência.

E há também uma série de perigos e ameaças, como: a DST, a intolorância, a corrupção, a violência, a gravidez precoce, a marginalidade, as drogas e o alcoolismo.

A função docente tem duas dimensões: o INSTRUIR e o EDUCAR.

Como conciliar essas duas dimensões?

Georges Gusdorf, na década de 60, já colocava a seguinte questão: Será que a educação deve se submeter ao ensino ou será que o ensino deve se submeter à educação?

Quando a educação se submete ao ensino o professor vai ensinando vários saberes (Português, Matemática, História, Geografia, Ciências…) pretendendo que a somatória de todos estes saberes resulte em um homem educado. Será que isto acontece?

Quando o ensino se submete à educação o projeto educativo em função do qual todos os saberes se justificam.

Gusdorf dizia que “a pedagogia real situa-se para além dos limites e das intenções de qualquer disciplina”. O autor achava que tínhamos que submeter o ensino à educação numa concepção individualizante.

Dos anos 60 para cá essa perspectiva se mantém numa visão mais social, visando o compromisso social, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais.

“A importância dada aos conteúdos revela um compromisso da instituição escolar em garantir o acesso aos saberes elaborados socialmente, pois estes se constituem como instrumentos para o desenvolvimento, a socialização, o exercício da cidadania democrática e a atuação no sentido de refutar ou reformular as deformações dos conhecimentos, as imposições de crenças dogmáticas e a petrificação de valores. Os conteúdos escolares que são ensinados devem, portanto, estar em consciência com as questões sociais que marcam cada momento histórico.”

Isso requer que a escola seja um espaço de formação e informação, em que a aprendizagem de conteúdos deve necessariamente favorecer a inserção do aluno no dia a dia das questões sociais marcantes em um universo cultural maior.” (Parâmetros Curriculares Nacionais – Introdução)

O papel do professor é caracterizado entre as dimensões pedagógica e educacional, estando a serviço: do desenvolvimento, da aprendizagem, da personalização (formação da identidade), da socialização, da humanização e da libertação. (Paulo Freire)

Como garantir o equilíbrio entre as dimensões pedagógicas e educacionais?

A escola deve estar em sintonia com a sociedade. A escola não pode ser fechada em si mesma. Os desafios educacionais devem ser enfrentados. Toda escola deve ter o seu Projeto Político Pedagógico (Macro esfera), formalmente pensado e com o comprometimento de todos os agentes educacionais, não podendo ficar dentro da gaveta. A Microsfera também deve receber todo cuidado. A autonomia e o espírito crítico devem ser promovidos diariamente. A dificuldade não pode anular a importância de desenvolver o Projeto Pedagógico.

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Sobre Meily Cassemiro

Há pessoas que fazem com que a gente floresça todos os ramos, brote todos os galhos, sejamos o que de melhor podemos ser. São pessoas que a gente AMA e que nos possibilitam nos deixar amar por elas e por NÓS mesmos. Nos apaixonamos por elas e pelo que elas nos habilitaram a SER. Há as que despertam o que há de pior em nós: a mesquinhez, a inveja, o rancor, a amargura, a tirania, a doença. Também precisamos delas, como precisamos de uma tomografia ou um raio x. Precisamos localizar onde dói, o que faz doer, o que causou aquilo, para poder curar. O que não se pode é empacar entre o diagnóstico e a cirurgia. É onde entra a CORAGEM de ser FELIZ. Uma vez alguém me disse que há muito tinha se convencido de que as pessoas são tão mais felizes quanto podem se permitir SER ELAS MESMAS. Acho que é isso. Mas ser a gente mesmo às vezes implica ser diferente conforme a circunstância, conforme o outro, conforme o caso. Implica ir se metamorfoseando. E assim, somos um grande mosaico mutante de muitas faces, muitas vidas, muitos de nós mesmos para muitos outros, que a gente espera que vá ficando cada vez mais bonito, que a gente espera que vá podendo ser cada vez mais FIEL AO QUE SOMOS, ao que QUEREMOS SER, ao que SONHAMOS NOS TORNAR.
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