Vídeo-aula 13: Conhecimento em rede

A ideia de rede está no cerne do pensamento transdisciplinar. Explicitar algumas das características importantes da imagem do conhecimento em rede, como o acentrismo e a metamorfose, é o objetivo principal dessa aula. Prof. Nilson Machado.

REDE: imagem do conhecimento.

1ª imagem do conhecimento: despejar na cabeça do aluno a matéria com um balde.

A cabeça do aluno é como um balde que tenho que encher de matéria? Isso é tosco! “Os alunos têm nível baixo” ou “O aluno não atingiu o nível” são expressões da imagem do balde como conhecimento. É renitente, pois resiste à ideia de rede , acreditando que a aprendizagem é medida.

Descartes: CADEIA. A organização da aula é como se fosse um grande cadeamento. (Livro “Discurso do Método” – pensamento ocidenta). Descartes dizia que para conhecer tenho que sair do simples para o complexo. O exemplo de uma montagem de um carro é uma perspectiva revolucionária, mas é datada. Hoje, os carros não são mais feitas por linhas de montagem, mas sim multiplamente, por ilhas. Não mais como “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin.

Quem planeja numa perspectiva cartesiana sabe conjugar dois verbos: RECLAMAR e PROMETER o futuro. Reclama sobre o que o aluno não aprendeu nos anos anteriores e promete que nos próximos anos  ele terá matérias mais difíceis para aprender.

2ª imagem do conhecimento: inserir o trabalho na sala de aula dentro da interdisciplinaridade.

Ações: o modo como se planeja, avalia, escolhe os materiais, didáticos, como pensa a organização curricular…

Conhecimento: rede de significados. Aprender não é como atravessar uma rua, mas é como navegar num mar de relações.

Descartes diz que temos que saber o simples e ir para o complexo. Ora, a coisa mais complexa é querer explicar o que é simples! A realidade apresenta-se para nós como uma teia de relações. Desde o momento que aprendemos a falar, aprendemos a relacionar as coisas e construir noções por meio de relações.

Ninguém começa nada na escola. A escola tem o papel de enriquecer a rede de conhecimentos e apagar certas relações que não estão adequadas.

ACENTRISMO: o conhecimento não tem um ponto de partida, não tem um centro. A rede tem CENTROS de interesse. Todos navegamos na mesma rede, mas cada um de nós entra por uma porta diferente.

METAMORFOSE: os significados são feixes de relações. Existem outras relações para se ensinar logarítmos, por exemplo. Os conceitos não são tão volúveis como na Internet, que mudam de uma hora para outra. A ideia de cidadania na Grécia não é a mesma hoje. O
conceito de rede é estar em permanente estado de atualização.

Não podemos, como cidadãos, deixarmos de estudar HISTÓRIA, pois é através dela que compreendemos o significado das mudanças.

TRANSDISCIPLINARIDADE: todas as noções importantes da vida eu penso além das disciplinas. O tema “Água” faz parte de todas as disciplinas, pois “transborda” todas as áreas do conhecimento.

Para concluir esta aula, cito Paulo Freire, referente à “educação bancária”. Ainda hoje, encontramos esta prática ultrapassada nas escolas, onde o conhecimento é depositado na mente dos alunos, surgindo assim, estudantes desmotivados a aprender. A proposta do conhecimento em rede pode transformar esta realidade, porém os gestores, educadores, pais e alunos precisam refletir muito… e estarem abertos para mudanças!!!

“O educador é o que educa; os educandos, os que são educados; o educador é o que  sabe; os educandos, os que não sabem; o educador é o que pensa; os educandos, os  pensados; o educador é o que diz a palavra; os educandos, os que a escutam docilmente; o educador é o que disciplina; os educandos, os disciplinados; o educador é o que opta e prescreve sua opção; os educandos os que seguem a prescrição; o educador é o que atua; os educandos, os que têm a ilusão de que atuam; o educador escolhe o conteúdo programático; os educandos, se acomodam a ele; o educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que opõe antagonicamente à liberdade dos educandos; estes devem adaptar-se às determinações daquele; o educador, finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos.”
(Freire, 1983, p.68)

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Sobre Meily Cassemiro

Há pessoas que fazem com que a gente floresça todos os ramos, brote todos os galhos, sejamos o que de melhor podemos ser. São pessoas que a gente AMA e que nos possibilitam nos deixar amar por elas e por NÓS mesmos. Nos apaixonamos por elas e pelo que elas nos habilitaram a SER. Há as que despertam o que há de pior em nós: a mesquinhez, a inveja, o rancor, a amargura, a tirania, a doença. Também precisamos delas, como precisamos de uma tomografia ou um raio x. Precisamos localizar onde dói, o que faz doer, o que causou aquilo, para poder curar. O que não se pode é empacar entre o diagnóstico e a cirurgia. É onde entra a CORAGEM de ser FELIZ. Uma vez alguém me disse que há muito tinha se convencido de que as pessoas são tão mais felizes quanto podem se permitir SER ELAS MESMAS. Acho que é isso. Mas ser a gente mesmo às vezes implica ser diferente conforme a circunstância, conforme o outro, conforme o caso. Implica ir se metamorfoseando. E assim, somos um grande mosaico mutante de muitas faces, muitas vidas, muitos de nós mesmos para muitos outros, que a gente espera que vá ficando cada vez mais bonito, que a gente espera que vá podendo ser cada vez mais FIEL AO QUE SOMOS, ao que QUEREMOS SER, ao que SONHAMOS NOS TORNAR.
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